quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Nunca é demais pensar antes de agir. Nunca é demais alertar.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

A não perder


“É da vida que costumamos fitar a morte. A arte faz o contrário: olha a vida a partir de uma morte invivível. Por isso, nos fascinam tanto os seus rostos e as máscaras com que se mostram, como se fossem sinais do impossível.
O texto escrito, aos onze anos, por Adília Lopes e que deu a estas obras a oportunidade de existirem é disto um augúrio. Aí, a morte é olhada da infância (“fiquei parada, contemplando o passarito, como se ele fosse um sinal vermelho que me impedisse de avançar”) e a infância é vista da morte (“jamais esperaria o Sol, as flores, o arco-íris, estava morto, enfim”).
Pedro Rapoula leu esse texto, voltou a lê-lo, e deu-lhe as imagens de uma alucinação serena. Pegou nas andorinhas de Rafael Bordalo Pinheiro e disse às suas mãos para descobrirem nelas um sentido oculto de crueldade.
Paula Rego afirmou-me um dia que, de todos os artistas portugueses, Bordalo Pinheiro é o mais capaz de lhe gerar encantamento e espanto. Quando fala dele a sua voz fica alta como os crimes dos seus quadros. Para isto ser como digo, é porque também ela adivinhou em Bordalo uma crueldade exacta e injusta como a da morte .
Eu olho estas aves de Rapoula, cercadas pelo vidro das suas caixas-sarcófagos, e já não consigo chamar-lhes andorinhas. A morte aproximou-se tanto delas, e aproximou-as tanto de nós, que elas deixaram de ser o que foram.
O Pedro Rapoula falou-me deste seu trabalho trocando a ligeira altivez do seu grupo humano por uma gravidade discreta que o universaliza. Eu sei que ele fica feliz (e só isso lhe bastaria) quando fixa os gestos que as suas mãos fazem para acrescentar as coisas de outras coisas – as que dão leveza ao peso e peso à leveza.
Dizer o nome da morte é falar do tempo e do seu extermínio. Mas o nosso tempo foge do tempo, num fuga veloz a que chama vida. Gosta de sustos falsos, fáceis e fúteis. Não gosta de medos fundos como o prego daquela noite de que um dia falou Cesariny: “ a noite como um prego a noite louca/ a noite com árvores na boca”.
Rapoula aponta aqui ao lugar em que o voo ágil das aves se cruza com o voo trôpego do tempo. Esta exposição dá a Saturno e à sua voracidade um corpo frágil (nada há mais frágil do que a beleza) e múltiplo (nada há mais bem dividido do que a morte). Na horizontalidade caída dos pássaros negros há um grito vertical que rege o seu sentido. Mas, chegado aqui, desvio-me, porque lembro o que afirmou Susan Sontag: “ Em vez de uma hermenêutica, nós precisamos de uma erótica da arte”.
Os antiquários são casas de tempo. Neles, há a sombra de uma luz maior do que essa que nos alegra quando a olhamos no fulgor frio das jóias, no reflexo fugidio dos cristais, no brilho liso das porcelanas. Não existe melhor lugar para dar a ver estes pássaros-vítimas do que um antiquário com a sua elegância melancólica e avara. Ninguém como Visconti disse “morte”, quando dizia “beleza”. Assim, não há mais viscontiana nem melhor companhia para esta exposição do que a de uma outra que se chama “Vanitas”, pois em face desta palavra estão as antiquísssimas caveiras que a usam para nos lembrarem a morte e o nosso conflito com ela.
Aqui, estes pássaros torturados acrescentam à melancolia do lugar a crueldade que lhe falta, sem desfazerem a elegância que lhe sobra. Por isso, é acertado que esta exposição se faça sob o nome de “Primavera”, pois esse é o tempo do ano em que tudo nasce para morrer.”
José Manuel dos Santos

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Será a verdade sobre a Gripe A?

Declarações da ex ministra da saúde da Finlândia:

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Informe C3 - 7ª Edição






Saiu mais uma edição do Informe C3, com o tema “Mais uma vez” é “Batata”, sobre Rituais/Crenças/Costumes/Valores.

Release da edição:

Rituais podem ser formas de realizar algo acreditando que certos costumes e características “fundamentais” são responsáveis pela realização, a dita perfeição e concretização do que se pretende alcançar. Como são os rituais nas culturas urbanas contemporâneas? No que diferentes grupos sociais têm acreditado e reconhecido como importante? Ritual, repetição necessária ou T.O.C (transtorno obsessivo compulsivo)?

Colaborei com o artigo: "Questões de Fé, crenças e Culto... em aberto".

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Uma aventura no Ministério da Educação


Se Isabel Alaçada é apontada como a próxima Ministra da Educação quem será a sua secretária de estado? Ana Magalhaes?

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

A propósito do "Talk Show - até se apagar o corpo" de Rui Horta...






Sento-me. Quando entrei já a música anunciava ritmo acelerado, ao toque cardíaco de pulso pousado no braço da cadeira. Os outros entram e observo. Observo a entrada e a montagem da cena...


Já está! Acontece, enquanto trocas de palavras de quem entra na sala e pede licença para se sentar no lugar do meio...

Acontece! Algo Acontece!

Linóleo, fita, música a pulsar, movimento de montagem, maca que se torna mesa...

E continuam a entrar como se nada estivesse a acontecer. Há quem repare, mas o registo é de que não é nada com eles, comigo... Observo!

Acontece, já está o desenrolar de algo que passa ao lado. O mundo passa ao lado e continuo de conversa, como se ainda não tivesse começado... Sim, já começou: o dia, a vida, os sonhos, os desejos, a guerra, a fome, a angústia, a esperança, a (des)Humanização!

Diante da notícia do coração. Personagem principal no desenrolar da História que apaga um enquanto ilumina outro, destacando corpos novos, corações mudados.

Mas não há mudança, as pessoas não mudam... Será? Quando minunciosamente dou conta dos movimentos que me informa sobre a troca de orgão tão nobre... Não haverá mudança? Despem-se... Já não são o fluxo e o refluxo, o corpo de um e de outro, o coração meu que agora é teu mas não deixa de me pertencer pois a existência não está fechada numa caixa com válvulas que bombeia a alma por todo o meu ser que também és tu... que recebes(-me). E vives!

A imagem de fundo de beleza de corpos sem adornos, contrapondo-se aos batimentos de quem exige a mudança!

"Quero que mudes!"

Atrasos como pretexto para obrigar a renovações de uma relação que há muito grita. Quem anúncia passa a estar no centro, expondo a violência dos corpos, de exigência da mudança... O teu coração é outro, mas tu és o mesmo? Como é possível? Tens de mudar! Obrigo-te... No jogo da humanidade e animalidade. Seremos, não, como cães?

[A suavidade dos deuses, enquanto observam de longe aquele desenrolar de histórias entre seres que (in)conscientemente procuram entender-se, contrapõe o gesto.]

Cada um caracteriza o outro! Em formas, sons, luzes diferentes. Somos diferentes, mesmo que possamos receber corações de outros que entram na nossa vida, dando-nos vida, ou tirando-a. Corações que são anatomicamente iguais! Porquê tanta falta de respeito se somos iguais na diferença?... Basta pensar, recordar, a(s) viagem(ens) que marcam a vida. Aquela(s) cujas rotas foram traçadas, assinaladas com a fotografia presente na memória. A viagem que mudou, sim mudou a minha, a tua, a nossa vida enquanto seres que se deixam (des)conhecer.

Perco o pudor e assim registo cada milímetro de pele que te faz diferente, na mudança que marco com o avançar da idade. O pensamento alia-se a este tornar velho do corpo, amadurecido. E o interior junta-se ao exterior, afinal não é mecânico, não tem instruções, a vida não está traçada ao pormenor, daí que os atrasos podem fazer mudanças.

Registo a viagem, registo a memória, registo(-me)(-te)...

E quando chego ao destino, o corpo apaga-se...
... fica a voz do recordar!



Escadas...

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Só para ti